Terapia infantil: quando é
necessário?
Agir
de forma muito diferente do habitual pode
ser uma razão para procurar um profissional
da área
Agressividade ou tristeza em excesso pode
ser um sinal de que a criança precisa de
terapia
Todas as crianças passam
por dificuldades, mas algumas podem precisar
de ajuda durante o processo de crescimento.
Como elas não são ainda capazes de apontar e
resolver racionalmente as próprias aflições,
os pais precisam ficar atentos a mudanças
bruscas de comportamento.
Algumas crianças são mais tímidas, outras
mais extrovertidas, mas, muitas vezes, estas
características condizem apenas à
personalidade de cada uma delas – não é
necessariamente um sinal de que precisam de
terapia. O mais importante para saber se a
criança está tendo um desenvolvimento
emocional saudável é tentar perceber o que é
usual do que não é.
De acordo com Regina Célia Gorodscy,
psicóloga clínica e professora de psicologia
na PUC-SP, em São Paulo, muitos pais não
conseguem diferenciar o que é
desenvolvimento do que é patologia, por
exemplo. “Antes de pensarem numa terapia,
eles precisam estar sensíveis diante do que
a criança demonstra”, explica.
A partir do momento em que a criança está
agindo de maneira distinta do normal, está
mais triste ou então muito agressiva com
familiares ou na escola, é importante
entender que ela está denunciando que algo
não vai bem. No entanto, segundo Teresinha
Costa, psicóloga, psicanalista e autora do
livro “Psicanálise com Crianças” (Editora
Jorge Zahar), do Rio de Janeiro, muitas
vezes a criança reflete a problemática da
família. “Na verdade,
quando os pais procuram nossa ajuda, são
necessárias algumas entrevistas para ver
quem é que deve entrar em análise, se é a
criança ou os pais”, afirma a
especialista.
Segundo Regina, os pais chegam às clínicas
em busca da resolução de problemas que, em
primeiro momento, são atribuídos somente aos
filhos. Mas não é bem assim.
“Se a criança é muito
agitada, por exemplo, os pais já procuram
ajuda imaginando que seja algo patológico”,
conta Regina. Mas é preciso perceber também
o próprio estilo de vida. “Se a criança não
está querendo dormir no horário certo, por
exemplo, pode ser que este seja o único
horário que ela encontre com os pais”,
completa.
Por
onde começar?
As razões para
procurar um especialista da área infantil
podem ser diversas, desde problemas
comportamentais até doenças psicossomáticas,
como a asma, por exemplo, que podem possuir
uma causa de fundo emocional. Há diferentes
sintomas que podem chamar a atenção dos
pais, e consultar um profissional da área
pode ser uma boa saída. Mas nunca se deve
obrigá-los a frequentar uma sessão de
terapia.
“Se a criança não
quer, ela não deve vir”, avisa
Regina. A psicóloga clínica Edna Levy, de
São Paulo, completa:
“Não dá certo trazer alguém na marra. Na
primeira infância, não costuma haver
resistência, mas é preciso sensibilizar o
adolescente que não está interessado pela
via da conversa”. Ao mostrar os
sintomas que ele está vivenciando, como
afastamento dos amigos, por exemplo, ele irá
pensar no que foi dito e deixará a porta
aberta para fazer uma tentativa.
O divã
dos pequenos
Entre as diversas
possibilidades de terapia infantil, Edna
Levy trabalha com seus pacientes por meio do
“Jogo de Areia” (sandplay, em inglês),
método de análise terapêutica, da linha
teórica Junguiana. Segundo ela, é uma
técnica em que o paciente não precisa
verbalizar se não quiser, mas, sim, elaborar
cenários numa caixa de areia com miniaturas
de tudo o que há em nosso universo
cotidiano. “Meios de
transporte, árvores, bebidas, animais,
móveis, roupas, objetos esportivos, entre
muitos outros”, conta Edna. “Este
cenário é fotografado e ele é analisado por
meio de símbolos fora da sessão”, completa.
De acordo com a especialista, o jogo de
areia é uma via expressa do inconsciente
para o consciente, para o mundo real.
“A dificuldade, ali,
se torna algo concreto, porque a criança
elabora a cena de fato”, explica.
Embora seja um método que pode ser utilizado
por crianças e adultos, para os pequenos é
bem mais prático.
“Para as crianças de pouca idade, não há a
terapia verbal, tudo acontece no mundo da
imaginação e da fantasia”, completa
Edna.
Há diversos trabalhos que podem ser
estabelecidos com a criança, desde a
ludoterapia, onde a brincadeira é a
principal forma de análise, até a
psicanálise, onde há a possibilidade de
brincar e desenhar. No entanto, para Regina,
a melhor terapia é aquela que você vê dar
certo. “O importante é
que o profissional seja formado, que tenha
uma especialização, mas o principal é a
aproximação dos pais”, afirma.
Segundo Regina, não adianta a criança seguir
com uma terapia se os pais não estão juntos
no processo. “Nesta
correria diária, os pais não param para
pensar nas dificuldades que eles próprios
possuem”, completa Teresinha. Para
ela, a maioria dos problemas infantis atuais
está ligado aos pais, então, é necessário
perceber essa questão e analisar a dinâmica
familiar.
Sintomas de alerta
Além dos fatores já
citados acima, há outros sinais que sugerem
a procura de um profissional da área.
Conheça alguns deles
- Dificuldades na escola
- Dificuldades na relação com os colegas de
classe
- Timidez em excesso
- Agressividade em excesso
- Problemas psicossomáticos como asma e
dermatite alérgica, entre outros
- Atitudes de insegurança (crianças com
dificuldades para sair do lado dos pais)
- Medo em excesso (de dormir, de ficar
sozinha, do escuro)
- Fazer xixi na cama após os cinco anos
Fonte:
Renata Losso, especial para iG São Paulo,
03/03/2010 11:10
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 3 março
2010
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