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Câncer de Mama
Sintomas da doença
O câncer de mama, em fase inicial, geralmente
não causa dor. Porém, à medida que o câncer
cresce, ele pode causar algumas alterações.
Geralmente o primeiro sinal do câncer de mama é
um pequeno nódulo no seio. O nódulo é geralmente
indolor e pode crescer lenta ou rapidamente.
Fique atenta e procure o seu médico diante de
qualquer um destes sinais apresentados a seguir.
Eles podem ou não significar a presença de um
câncer, porém, nada substitui a avaliação
médica.
Fique de olho e Cuide-se!
-
Aparecimento de um nódulo ou de um
espessamento da mama ou próximo a ela ou ainda
na região da axila.
-
Alteração no tamanho ou na forma da mama.
-
Alteração no aspecto da mama, auréola ou
mamilo.
-
Saída de secreção pelo mamilo, sensibilidade
mamilar ou inversão do mamilo para dentro da
mama.
-
Enrugamento ou endurecimento da mama (a pele
de mama adquire um aspecto de casca de
laranja).
-
Sensações diferentes: calor, inchaço, rubor,
escamação.
A maior parte dos nódulos não são câncer.
Comumente são cistos com fluidos no tecido do
seio que aumentam e diminuem com o ciclo
menstrual.
Para descobrir se tem ou não um câncer de mama,
você deverá fazer o auto exame mensal; exame
médico pelo menos uma vez ao ano; exames
ginecológicos anuais e uma mamografia antes de
chegar aos 40 anos de idade, preferencialmente
entre os 35 e 39 anos. Depois dos 40 anos deverá
fazer a mamografia a cada 1 ou 2 anos, de acordo
com o programa recomendado pelo seu médico. A
partir dos 50 anos, você deve fazer uma
mamografia a cada ano. É muito importante seguir
as indicações de seu médico.
Estágios da doença
O tratamento do câncer de mama depende de muitos
fatores, dentre eles: a histologia do tumor, a
idade da paciente e o fato de estar ou não na
menopausa e, mais importante ainda, em que
estágio se encontra o tumor. É o estágio do
tumor que determinará se o câncer pode ser
removido cirurgicamente ou se precisará de
outros tipos de tratamento, como quimioterapia,
tratamento hormonal ou radioterapia.
Para sabermos se um tumor está avançado ou não,
há uma classificação dos tumores, criado pela
União Internacional Contra o Câncer (UICC),
denominado estadiamento, baseado no fato de que
os tumores seguem um curso biológico comum.
Esta avaliação tem como base a dimensão do
tumor, a avaliação da extensão aos linfonodos e
a presença ou não de metástases para outras
partes do corpo. Após a avaliação destes
fatores, os casos são classificados em estágios
que variam de I a IV graus crescentes de
gravidade da doença. São eles:
Estágio 0: É o chamado carcinoma in situ
que não se infiltrou pelos dutos ou lóbulos,
sendo um câncer não invasivo. O estágio zero
significa que as células do câncer estão
presentes ao longo da estrutura de um lóbulo ou
um ducto, mas não se espalharam para o tecido
gorduroso vizinho, isto é, as células cancerosas
que ainda não invadiram os tecidos circundantes.
Nos estágios I e II, o câncer expandiu-se dos
lóbulos ou ductos para o tecido próximo à mama.
Estágio I: O tumor invasivo é pequeno
(menos de 2cm de diâmetro) e não se espalhou
pelos linfonodos, isto é, o tumor que permaneceu
no local no qual se originou sem disseminação
para os linfonodos ou locais distantes.
No estágio II, algumas vezes, os
linfonodos podem estar envolvidos.
Estágio IIa: Qualquer das condições
abaixo:
O tumor tem menos que 2 centímetros e infiltrou
linfonodos axilares.
O tumor tem entre 2 e 5 centímetros, mas não
atinge linfonodos axilares.
Não há evidência de tumor na mama, mas existe
câncer nos linfonodos axilares.
Estágio IIb: Qualquer das condições
abaixo:
O tumor tem de 2 a 5 centímetros e atinge
linfonodos axilares.
O tumor é maior que 5 centímetros, mas não
atinge linfonodos axilares.
O estágio III é o câncer de mama
localmente avançado, em que o tumor pode ser
maior que 5cm de diâmetro e pode ou não ter se
espalhado para os linfonodos ou outros tecidos
próximos à mama.
Estágio IIIa: Qualquer das condições
abaixo:
O tumor é menor que 5 centímetros e se espalhou
pelos linfonodos axilares que estão aderidos uns
aos outros ou a outras estruturas vizinhas.
O tumor é maior que 5 centímetros, atinge
linfonodos axilares os quais podem ou não estar
aderidos uns aos outros ou a outras estruturas
vizinhas.
Estágio IIIb: O tumor infiltra a parede
torácica ou causa inchaço ou ulceração da mama
ou é diagnosticado como câncer de mama
inflamatório. Pode ou não ter se espalhado para
os linfonodos axilares, mas não atinge outros
órgãos do corpo.
Estágio IIIc: Tumor que qualquer tamanho
que não se espalhou para partes distantes, mas
que atinge linfonodos acima e abaixo da
clavícula ou para linfonodos dentro da mama ou
abaixo do braço.
Estágio IV: é o câncer metastático. O
tumor de qualquer tamanho espalhou-se para
outros locais do corpo como ossos, pulmões,
fígado ou cérebro.
Câncer de Mama e Sexualidade
Qualquer tipo de câncer costuma ser muito
traumático para as pessoas e acarreta
conseqüências físicas e emocionais que precisam
ser acompanhadas de perto pelo médico e por
profissionais da saúde capacitados para
trabalhar o lado mental e emocional do paciente.
Existem dois aspectos relevantes que devem ser
conhecidos para tornar possível a compreensão da
vida sexual de pacientes que sofrem de qualquer
tipo de câncer. O primeiro aspecto está
relacionado à reação diante descoberta do
câncer, que, algumas vezes exige mutilação do
órgão ou da glândula afetada. É comum que a
pessoa que recebe o diagnóstico de câncer passar
por diferentes períodos emocionais como:
negação, depressão, revolta, indignação, dentre
outros.
Na fase de depressão e de rebeldia, a atividade
sexual vai sofrer maior impacto. O paciente se
preocupa mais com a sua saúde, exames,
medicamentos, cirurgia, radioterapia,
quimioterapia do que com sua vida sexual. O
desejo sexual diminui muito ou desaparece.A
atividade sexual, para muitas pessoas, fica
esquecida quando há muitas preocupações na
cabeça. No caso específico de pessoas com
câncer, a sexualidade fica quase que
naturalmente em segundo plano. Muitos indivíduos
passam a se ver sem quase nenhuma auto-estima,
com tristeza e com muito medo de não mais
corresponder às demandas sexuais do parceiro.
Ser considerado como doente, vítima e passível
de pena evidentemente afetam a auto-estima. Os
relacionamentos acabam se complicando bastante,
principalmente quando não há muito diálogo
aberto e franco entre o casal.
O paciente se sente sozinho, incompreendido e,
muitas vezes, com dificuldade de comentar ou de
perguntar algo sobre a sua vida sexual para o
médico. Convém lembrar que há medicações
antidepressivas podem ser utilizadas e que
trazem uma melhora no quadro depressivo e na
vida sexual do paciente. Neste caso, é
aconselhável que se procure a ajuda de um
psiquiatra.
Um segundo aspecto é quando o câncer atingir
áreas como a mama que afetam de forma direta o
desempenho da atividade sexual. Nesses casos, o
médico pode apresentar opções que ajudem a
melhorar a auto-estima da mulher. O câncer de
mama traz muitas complicações na auto-imagem das
mulheres, diminuindo muito o desejo de se expor
ao parceiro. A mama é considerada um ponto
importante da feminilidade e se o câncer gerou a
necessidade de retirada de uma ou de duas mamas,
a mulher pode ficar bastante abalada também
sexualmente. O implante de silicone tem ajudado
muitas mulheres a recuperar a auto-estima.
O câncer afeta a vida de um casal em várias
dimensões. Ambos devem procurar formas de
adaptação que tragam de volta a intimidade e a
cumplicidade. Com a estabilidade do câncer, o
desejo sexual reaparece e volta a ser
importante. O ideal é que as mulheres sejam
bastante sinceras com seu parceiro em relação a
seus sentimentos e sensações. O médico poderá
indicar técnicas que facilitem a superação das
dificuldades sexuais. Além do médico
oncologista, é aconselhável buscar um psicólogo
ou um terapeuta sexual capacitado para a
orientação específica para o seu problema.
Câncer de Mama na Gravidez
TRATADO DE OBSTETRÍCIA - PROF. JORGE DE REZENDE
Autor: Maurício Magalhães Costa
Mestre e Doutor em Ginecologia pela UFRJ
Responsável pelo Setor de Oncologia Ginecológica
do Serviço de Ginecologia do Hospital
Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ
Diretor da Seção de Mastologia do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões
O câncer de mama é a patologia maligna mais
freqüente nos países desenvolvidos. Nos Estados
Unidos, a segunda causa de morte por câncer,
após o de pulmão. Observa-se aumento progressivo
em sua incidência mesmo na América Latina.
A Organização Mundial de Saúde registrou, nas
décadas de 60 e 70, aumento de 10 vezes nas
taxas de incidência do câncer de mama feminino,
ajustadas por idade nos diversos continentes e
calcula-se uma elevação de 14,5% até o início do
próximo século devido principalmente à
perspectiva de maior longevidade da população
neste período (Matias, 1994).
A maioria dos aumentos nas taxas de incidência
era verificada em mulheres com mais de 50 anos,
mas de 1980 a 1987 os índices cresceram em
pacientes mais jovens. Essas modificações de
incidência são atribuídas não só a fatores
sócio-culturais, como também tem sido
documentada a elevação no risco de mulheres
migrantes de áreas de baixo-risco para as de
alto risco. Esses estudos sugerem que os fatores
ambientais têm substancial efeito no risco do
câncer de mama (Matias, 1994).
O câncer de mama associado à gravidez (CMG) é
definido como aquele diagnosticado durante o
período de gestação e também nos primeiros 12
meses após o parto. É achado pouco freqüente,
porém de extrema gravidade. A doença põe em
risco a vida da mãe e do concepto, e nos leva,
maioria das vezes, a problemas de ordem clínica,
ética e psicológica, assim como dúvidas quanto
ao diagnóstico e tratamento.
Considerado como de prognóstico sombrio e de
tratamento pouco eficaz graças ao agravamento
promovido pela gestação, hoje é avaliado com
menos pessimismo e estudado de forma mais clara
baseada em dados menos alarmantes.
Klotz, em 1869, fez a primeira citação a
respeito do câncer de mama associado à gravidez.
A partir desse marco, uma série de autores se
dedicou ao estudo da doença, quase sempre
ressaltando o péssimo prognóstico apresentado
por essas pacientes.
Kilgores, em 1929, foi o primeiro a atribuir
pouca importância ao período gestacional ou de
lactação, se contrapondo à idéia do quadro
invariavelmente desesperador da doença.
Em 1943, Haagensen & Stout acompanharam 29 casos
de câncer de mama diagnosticados durante a
gestação e puerpério, realizando 20 mastectomias
radicais. Como não houve cura ou sobrevida
longa, o CMG passou a ser considerado como
critério de inoperabilidade.
Westberg, em 1946, avaliou 224 casos
diagnosticados na Suécia como CMG. Concluiu que
a gestação não influenciava no prognóstico e sim
no retardo do diagnóstico. No mesmo estudo,
observou que a interrupção da gestação não
causava melhoras nas possibilidades de cura.
Em 1967, Haagensen (1943) reviu sua posição
inicial em relação a inoperabilidade atribuída a
esses casos. A partir daí a maior parte dos
autores aponta em seus trabalhos que a evolução
da doença depende muito mais do seu estadiamento
e do comprometimento da axila, no momento do
diagnóstico, do que da associação com a gestação
ou a lactação.
Nos países em desenvolvimento ou
subdesenvolvidos, as cifras de incidência por
câncer de mama variam de baixa a moderada (20 a
40 por 100.000 mulheres), com tendência a
elevação. No Brasil, os coeficientes de câncer
de mama em algumas regiões são próximos aos
verificados em países desenvolvidos. O maior
coeficiente é encontrado em Porto Alegre (76,2/
100.000). A seguir situam-se São Paulo
(65,5/100.000) e Fortaleza (61,6/100.000).
Segundo a Coordenação Nacional de Controle de
Tabagismo, de Prevenção e Vigilância do Câncer (CONPREV),
órgão do Instituto Nacional do Câncer, a
estimativa de câncer de mama para 2000 foi de
28.340 novos casos, sendo responsável por 8245
óbitos.
O câncer de mama associado à gravidez é,
felizmente, bem pouco freqüente. Revendo a
literatura mundial por período aproximado de 100
anos, White (1954), encontrou 2,8% de CMG em
45.000 casos avaliados.
Em 1983, Wallack reviu 32 séries de relatos de
câncer de mama, encontrando de 0,2 a 3,8% de CMG.
Referiu também a incidência de 10 a 39 casos por
100.000 nascimentos.
A faixa etária média em que o CMG se apresenta
varia de 32 a 38 anos. O caso de paciente mais
jovem, 16 anos, foi relatado por Birks, em 1973.
Richards, em 1984, referiu paciente de 18 anos
com doença disseminada.
A princípio, em toda gestante que se apresente
com adenocarcinoma metastático deve-se suspeitar
inicialmente de um sítio primário localizado na
mama.
O diagnóstico de CMG é sempre difícil e
postergado. A turgência e as irregularidades no
parênquima mamário durante esse período
dificultam o exame clínico, retardando as
indicações de biopsia e conseqüentemente o
diagnóstico final. Max (1983), refere que o
atraso médio na detecção da doença, durante a
gestação, é de cinco meses em relação a
pacientes não gestantes. Esses achados poderiam
ser minimizados se houvesse oportunidade de
consultas pré-natais, onde se procederia a exame
clínico mais acurado e se recomendaria a prática
do auto-exame.
A realização da mamografia também parece não
diminuir o retardo no diagnóstico. Em pacientes
jovens, não gestantes, abaixo de 35 anos, a
mamografia pode mostrar-se falso-negativa em até
50% dos casos. Esse dado parece mais elevado no
caso de pacientes gestantes. A ultra-sonografia
também pode ser considerada valiosa no
diagnóstico. Além de nos auxiliar na melhor
caracterização do tumor mamário, pode ser útil
na investigação de metástases abdominais.
Os exames que envolvem radiação, como as
radiografias e cintilografias utilizadas no
rastreamento de lesões a distância, são
contra-indicadas na maior parte das vezes.
Porém, acredita-se, que suas doses são abaixo do
nível de perigo e parecem ser razoavelmente
seguras em mulheres grávidas.
A punção por agulha fina também tem-se mostrado
de valor no diagnóstico. Apesar de a citologia
mamária ter sua especificidade diminuída durante
a gestação e lactação, pelos fenômenos
hiperplásicos e inflamatórios próprios do
período, sua elevada sensibilidade pode nos
alertar para a indicação da biopsia cirúrgica.
O diagnóstico definitivo virá somente com o
exame histopatológico. A realização da biopsia
cirúrgica durante a gestação pode ser feita com
segurança, seja sob anestesia local ou geral.
Tratamento
O diagnóstico de câncer de mama durante a
gravidez produz forte impacto emocional em todos
os envolvidos, pois acomete pacientes jovens, em
período especial de suas vidas.
É necessário, desde o início, uma avaliação
multidisciplinar, com ênfase à assistência
psicológica e várias questões se impõem: efeitos
da terapêutica sobre feto, risco de continuar a
gravidez e principalmente o prognóstico materno.
O câncer de mama, sobretudo quando em seus
estágios iniciais, não interfere com o curso da
gravidez, porém, nos estádios avançados, pode
levar a caquexia que determina crescimento
intra-uterino retardado e parto pretermo.
O tratamento de câncer de mama durante a
gravidez deve considerar a idade da gestação e o
estádio da doença. Em linhas gerais, o
tratamento segue a mesma orientação que os casos
fora do ciclo gestacional, pois não há
evidências de que o câncer de mama em gestantes
seja biologicamente diferente do que em outras
mulheres não-grávidas, na pré-menopausa. A
interrupção da gravidez não melhora a sobrevida
e em nosso meio só encontra amparo médico-legal
nos casos de risco de vida materno comprovado.
Os possíveis riscos teratogênicos da
terapêutica, isoladamente, não justificam a
interrupção.
Em 1943 Haagensen afirmou que "câncer de mama
durante a gravidez e lactação é tão maligno e a
cirurgia tão pouco curativa, que não via
justificativa para sua indicação". Naquela
ocasião ele defendia a radioterapia paliativa
como única terapêutica, apesar do risco fetal.
Posteriormente Haagensen modificou seus
critérios e passou a tratar cirurgicamente o
câncer de mama simultâneo à gestação.
A anestesia geral empregada na cirurgia é
relativamente segura para a mãe e para o feto.
Numerosos estudos indicam que não há aumento de
mortalidade e que o risco de trabalho de parto
prematuro, em procedimentos cirúrgicos
extra-abdominais, é mínimo.
Atualmente, se não há evidência de doença
metastática, o conceito terapêutico inicial é
cirúrgico. A mastectomia radical modificada (MRM)
é a técnica mais preconizada.
A cirurgia conservadora, mesmo em tumores
pequenos, não é indicada por motivo da
impossibilidade de associá-la à radioterapia;
estudos de Gallenberg et al. (1989) e Willemse
et al. (1990), comprovaram que seu adiamento
diminui a sobrevida. Entretanto, em pacientes no
3º trimestre, com tumores menores que 4cm e
desejosas de tratamento conservador, é possível
realizar a segmentectomia com dissecção axilar,
após a interrupção da gravidez, e complementar
com radioterapia.
As pacientes que têm doença inicialmente
sistêmica podem ser submetidas à ressecção
tumoral, com objetivo paliativo de citorredução.
Os tumores localmente avançados e inflamatórios
são tratados com uma combinação de
quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Nestes
casos a cirurgia terá finalidade higiênica.
A radioterapia deve ser desencorajada, exceto
nos casos em que pode ser adiada para após o
parto, pois a técnica padrão de irradiação do
campo mamário é inaceitavelmente alta para o
feto. Um tratamento completo irá expor o
concepto a doses de 20 a 100 cGy, dependendo do
campo e da altura uterina, e sabe-se que o risco
de malformações aumenta quando a dose de
irradiação é superior a 10 cGy (Gallenberg,
1989). A sensibilidade fetal máxima ocorre
durante o período de organogênese, até a 20ª
semana de gestação. Porém, no último trimestre,
devido a proximidade do feto aos campos de
radioterapia, há considerável risco de efeitos
adversos.
Os quimioterápicos antineoplásicos, tem como
principal característica a ação sobre células em
crescimento, ou seja, tecidos com uma fração de
células em divisão são mais sensíveis. O embrião
tem sua população celular em permanente
expansão, tornando-o extremamente vulnerável.
O risco de teratogênese depende da época da
gravidez em que é administrada a quimioterapia e
o tipo de droga. As malformações mais freqüentes
ocorrem em pacientes expostas a agentes
alquilantes e antimetabólitos no primeiro
trimestre da gestação. O 5-FU, metotrexate e 6-mercaptopurina
são os quimioterápicos mais teratogênicos.
Os riscos da associação de quimioterapia com
gravidez ainda não são claros. Muitos dos
estudos foram realizados em animais de
laboratório e os trabalhos em humanos
restringiram-se aos efeitos imediatos, faltando
assim informações sobre o risco futuro de
neoplasias, desenvolvimento intelectual e
fertilidade.
A quimioterapia poderá ser indicada nos casos de
doença sistêmica localmente
avançados/inflamatórios e adjuvante ao
tratamento primário. Em todas as situações
deverá ser avaliado o risco/benefício da
administração dos quimioterápicos. Nos dois
primeiros casos a quimioterapia é obrigatória,
geralmente pré-operatória e associada à
radioterapia. Há urgência de iniciar a
terapêutica e qualquer adiamento poderá
representar maior morbidade. O cuidado com a mãe
prevalece e o risco fetal é secundário, pois a
vida materna está ameaçada. Nesta situação a
interrupção da gravidez pode ser considerada.
A quimioterapia adjuvante está indicada em
pacientes tratadas cirurgicamente e que
apresentam maior risco de desenvolver
metástases. São fatores de mau prognóstico:
linfonodos comprometidos, tumor maior que 2 cm,
receptores hormonais negativos, tumores
indiferenciados e aneuplóides. A decisão de
instituir a terapêutica deve ser discutida com a
paciente e todos os riscos de malformações serem
esclarecidos.
Os protocolos de quimioterapia em câncer de mama
mais empregados são o ciclofosfamida/metotrexate/5-FU
(CMF) e o 5-FU/adriamicina/ciclofosfamida (FAC).
Nos casos em que se decida administrar a
quimioterapia, o metotrexate e o 5-FU devem ser
excluídos. Há estudos (Barni,1992) relatando que
a administração semanal de doxorrubicina
promoveu resultados satisfatórios sem riscos
fetais adicionais de sofrimento ou malformações,
quando administrados no 2o. e 3o. trimestre
A utilização de qualquer agente quimioterápico
durante o primeiro trimestre da gravidez deve
ser desencorajada. Seu uso no 2º e 3º trimestres
provavelmente induz poucas anormalidades, mas
novos estudos, acompanhados a longo prazo,
precisam ser realizados. A quimioterapia,
preferencialmente, deve ser adiada para depois
do parto.
A gravidez pode diminuir os níveis de receptores
hormonais no citoplasma das células do câncer de
mama, culminando em resultados falso-negativos,
porque os altos teores de estrogênio circulante,
nas gestantes, causam translocação dos
receptores dentro do núcleo e ocupam todos os
citoplasmáticos.
A dificuldade de definir se o tumor é hormonial
positivo ou negativo é mais um entrave à
hormonioterapia, pois não sabemos se o tumor
responderá ou não à manipulação hormonial. Em
pacientes jovens, independente da gravidez, os
tumores são geralmente indiferenciados e
receptores hormoniais negativos.
Durante a gravidez poderia ser feita a
ooforectomia e a administração de tamoxifeno.
Ambos apresentam riscos para a gestação e não há
trabalhos que evidenciem benefícios. É
tratamento que deve ser restrito aos casos
avançados e metastáticos, sem utilidade como
terapia adjuvante.
Recomendações para tratamento de câncer de mama
na gravidez (Tabela 1).
São tumores operáveis. A mastectomia radical
modificada é a terapia de escolha. A ressecção
segmentária com dissecção axilar e radioterapia
será restrita aos tumores até 4 cm e
diagnosticados próximo ao termo.
A quimioterapia adjuvante poderá ser
administrada nas pacientes com linfonodos
comprometidos, mas após a 20ª semana e sem
agentes antimetabólitos (metotrexate e 5-FU).
Preferencialmente será iniciada depois do parto.
São tumores localmente avançados ou doença
sistêmica. O tratamento inicial é clínico com
quimioterapia e/ou hormonioterapia. A cirurgia
indicada, mastectomia higiênica ou tumorectomia,
dependerá da resposta ao tratamento clínico e
radioterápico.
Uma revisão da literatura antiga sobre câncer de
mama na gravidez demonstra um pior prognóstico
quando comparado com mulheres não-grávidas (Barnavon
& Wallack, 1990). Estudos posteriores
evidenciaram que comparando grupos de mesmo
estadiamento os resultados foram semelhantes
(Tabela I). A divergência está em que o
diagnóstico do câncer de mama em gestantes é
geralmente mais tardio e em estádios mais
avançados (Nugent, 1985).
Petrek (1991), realizou estudo retrospectivo de
mulheres grávidas com câncer de mama e comparou
com grupo-testemunha, cruzando idade e
estadiamento. Nugent (1985) também se associou a
esse estudo e comparou grupos de pacientes com
menos ou mais de 40 anos. O resultado demonstrou
que a idade, mais que o fato de estar grávida, é
o principal fator de mau prognóstico.
Efeitos sobre o feto e a gestação
O período embrionário dura até a 9ª semana de
gestação, quando o embrião atinge 4 cm e a maior
parte dos órgãos está em formação. A partir da
10ª semana se inicia o período fetal, que é
caracterizado pelo crescimento e maturação das
estruturas noviformadas. Agravos à gestação no
período embrionário resultam em abortamento
espontâneo espontâneo ou malformações
significativas, enquanto, no período fetal,
predominam deficiências do crescimento e
desenvolvimento. A susceptibilidade a drogas
teratogênicas e radiação diminui com a evolução
da gravidez e torna-se mínima após a
organogênese (20 semanas) (Garber, 1989).
Tabela 1
Taxa de sobrevivência de mulheres grávidas e
não-grávidas abaixo de 40 anos com câncer de
mama
|
Sobrevivência (%) |
|
Estadiamento |
Grávida |
Não-grávida |
p |
|
I |
4/4 (100) |
59/84 (70) |
0,57 |
|
II |
7/14 (50) |
27/57 (48) |
1,0 |
|
III |
0/1 (0) |
1/14 (7) |
1,0 |
|
Geral |
11/19 (57) |
87/155 (56) |
1,0 |
|
Nugent (loc.cit.) |
Metástases para o concepto são raras. Há, no
momento, 52 casos relatados na literatura
(diferentes origens), 45 para a placenta e 7
para o feto. Nenhum caso de metástase de câncer
de mama para o feto, mas 4 para a placenta (Potter
& Schoeneman, 1970).
Os estádios I e II não interferem com a evolução
da gravidez. Nos casos avançados e metastáticos
pode haver comprometimento do estado geral com
caquexia e, conseqüentemente, crescimento
intra-uterino retardado.
O tipo de parto não interfere na evolução da
doença. Os critérios devem ser rigorosamente
obstétricos.
Não há evidências de que a supressão da lactação
melhore o prognóstico de pacientes com câncer de
mama no ciclo grávido-puerperal, porém existe
tendência de suprimir a lactação pelo
desconhecimento dos riscos da persistência do
estímulo hormonial (Hoover, 1990).
Em duas situações a supressão é obrigatória: nos
casos de cirurgia da mama no período puerperal e
quando há administração de quimioterápicos, que
podem ser secretados pelo leite e causar
neutropenia no recém-nascido.
Alguns autores reconhecem o sinal de rejeição ao
leite como um marcador tumoral de câncer de mama
(Saber,1996). Ele é descrito como um sinal raro
em que o lactente rejeita o leite materno de uma
mama com câncer de mama oculto.
Fertilidade e gravidez subseqüente
O desenvolvimento de modernos tratamentos de
tumores malignos vem permitindo longa
sobrevivência e preservação da função gonadal.
O efeito da quimioterapia na função ovariana é
similar ao da radioterapia e a probabilidade de
insuficiência ovariana proporcional à dose
acumulativa e à idade da paciente. As jovens são
menos propensas a apresentar insuficiência
ovariana permanente.
Muitas mulheres tratadas de câncer de mama
desejam futura gravidez. Acreditava-se que
gestações poderiam favorecer recidivas tumorais
devido aos altos níveis hormonais, porém estudos
de Souza (1986), Hoover (1990) e Vange (1991),
comprovaram que uma nova prenhez não influencia
no prognóstico. Petrek (1991) demonstrou maior
sobrevida em grupo de pacientes que engravidaram
do que em grupo-testemunha.
Embora gestação subseqüente não altere o
prognóstico, recomenda-se que as pacientes
evitem nova gravidez por 3 a 5 anos após o
diagnóstico. O maior risco de recidiva ocorre
nos dois primeiros anos e a recorrência do
câncer em uma grávida seria uma dificuldade para
a terapêutica.
Interrupção da gravidez era rotineiramente
indicada como parte do tratamento do câncer de
mama, pois acreditava-se que os hormônios
placentários estimulavam o crescimento das
células tumorais. Além disso, há, na gravidez,
alterações imunológicas que determinam
diminuição da imunidade celular.
Estudos de Max et al. (1983), Ribeiro et al.
(1986) e Hoover (1990), demonstraram que a
interrupção da gestação não influi no
prognóstico; atualmente ela está indicada apenas
em casos em que haja risco de vida materna.
Alguns fatores foram apontados como responsáveis
pelo mau prognóstico do câncer de mama associado
à gravidez, entre eles, altos níveis hormonais,
a vasidilatação sangüínea e linfática e a
imunodeficiência própria da gestação.
Atualmente, sabe-se que esse prognóstico não
depende tanto da prenhez. Ele vai estar ligado,
principalmente, ao estadiamento clínico da
doença e à juventude dessas pacientes.
Em face de possibilidade de suspeita clínica de
tumor mamário durante a gravidez e a lactação,
não devemos jamais postergar o diagnóstico. A
utilização da punção por agulha fina e a
ultra-sonografia podem ser úteis, porém, quando
negativas, não excluem a necessidade da biopsia
cirúrgica.
Uma vez diagnosticada a moléstia, seu
estadiamento deve ser procedido com rapidez,
sempre tendo em mente as dificuldades causadas
pela gestação.
O tratamento freqüentemente se depara com
entraves de ordem clínica e ética. A idade
gestacional atua aí como fundamental nas nossas
opções terapêuticas e constantemente modifica
condutas e retarda procedimentos.
O tratamento cirúrgico pode ser realizado em
qualquer fase da gravidez. A quimioterapia
talvez possa ser efetuada no segundo ou terceiro
trimestres. A radioterapia é reservada para o
período pós-parto.
A interrupção da gestação não se mostra como
colaboradora no tratamento, porém , sem dúvida,
facilita a conduta terapêutica. Sua indicação
deve ser cercada de muito equilíbrio e discutida
abertamente com a paciente e sua família.
Postado por Izabel Cristina da Fonseca, 19
de setembro de 2009. (9340)

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